\LABIRINTOS MÓVEIS

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\SOBRE LABIRINTOS MÓVEIS​

Labirintos Móveis é uma pesquisa multilinguagem que envolve a criação de dispositivos produzidos a partir de uma estrutura de bambolês vermelhos interconectados, que, por sua vez, buscam gerar afetações no espaço e/ou no corpo do público. Sua intencionalidade está em produzir relações que "profanem" o cotidiano normatizado a partir da experimentação destas arquiteturas cambiáveis que se constituem sob a "forma" coreográfica, instalativa, escultórica ou gráfica capazes de gerar encontros inusitados, trocas comunitárias e/ou transformações na interação física-social entre os corpos.

Fundamenta-se em trabalhos de artistas brasileiros como Hélio Oiticica (Penetráveis e Parangolés), Lygia Clark (Objetos relacionais), Lygia Pape (Divisor) no sentido de estabelecer uma relação do corpo com o material da obra e ou de trazer a ideia de "tornar-se obra". Também houve uma aproximação mais superficial com trabalhos de artistas internacionais na área das instalações que buscaram construir propostas onde o corpo atravessa a instalação, tal qual labirintos a serem penetrados (Michel François, Tomas Saraceno, William Forsythe, Monika Grzymala, Michelangelo Pistolleto, Lawrence Malstaf, Makoto Tanyjiri, Ai Weiwei, Gijs Van Vaerenbergh, Kimihiko Okada, Antony Gormley, David Dimichele). E, finalmente, outra referência importante foram os trabalhos dos artistas e coreográfos Alessandro Lumare e Simona Lobefaro (Segni Mossi – Itália), que apresentam propostas de dança-desenho a partir da criação de dispositivos capazes de instaurar um envolvimento colaborativo no trabalho artístico proposta por eles (performance “AL CUBO”) - Labirintos Móveis, por sua vez recria esta dinâmica de dança-desenho no campo tridimensional.

A ludicidade em Labirintos Móveis revelou-se como elemento intrínseco pelo fato de sua estrutura física (os bambolês interconectados) provocar curiosidade e acionar o espírito "jogador” de cada indivíduo participante - seja a partir de proposições direcionadas pela artista-educadora-performer ou através do ato de construir ou manipular a estrutura de modo espontâneo, afinal,

Antes de mais nada, o jogo é uma atividade voluntária. Sujeito a ordens, deixa de ser jogo, podendo no máximo ser uma imitação forçada. Basta esta característica de liberdade para afastá-lo definitivamente do curso da evolução natural. [...] As crianças e os animais brincam porque gostam de brincar, e é precisamente em tal fato que reside sua liberdade. (HUIZINGA, 1980, p.11)

Ao longo das experiências, Labirintos Móveis também se apresentou como um possível "dispositivo etnográfico", capaz de revelar as forças (talvez as forças lúdicas do agôn, alea, mimicry e ilinx ou mesmo outras) presentes no indivíduo ou no coletivo de indivíduos, que, por sua vez, podem expressar questões relacionadas diretamente com os aspectos sociais, econômicas e políticos existentes nos territórios. Logo, umas das potências que esta pesquisa traz é a de permitir que seja observado aquilo que “incorporamos” e expressamos, e, com base nisso, qualificar os tipos de experiências de motricidade que podem vir a ser oferecidas às pessoas, de modo a  inventar outras realidades - quem sabe, aquelas pautadas pelos princípios do coletivo.

\EXPERIMENTO #1

Na fase experimental da pesquisa foi proposta uma sequência de jogos-de-dança para crianças, no intuito de fortalecer suas relações entre "corpo e o espaço", aproximando-se da temática dos níveis (alto, médio, baixo) e da resposta em tempo real às composições criadas pelo grupo junto à estrutura dos bambolês. Adiante, as propostas avançaram para a construção coletiva de uma instalação junto ao público infantil,  tomado como coautor desta obra artística. Um dos conceitos inspiradores para esta ação foram os pressupostos da arte relacional, proposto Nicolas Bourriaud (2009), que nos explica que:   

 

A essência da prática artística residiria, assim, na invenção de relações entre sujeitos; cada obra de arte particular seria a proposta de habitar um mundo em comum, enquanto o trabalho de cada artista comporia um feixe de relações com o mundo, que geraria outras relações, e assim por diante, até o infinito. (BOURRIAUD, 2009, p.30-31)    

\EXPERIMENTO #2

O segundo experimento recebeu fomento do 5o Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes no Município de Santos (FACULT - 2016) e teve a participação das artistas Bárbara Muglia e Renata Fernandes, colaboração que possibilitou diálogos mais aprofundados com o campo coreográfico. Produziu seis intervenções em territórios distintos da cidade de Santos (Orla da praia, Ilha Diana, Escadaria do Monte Serrat, Parque Municipal Roberto Mário Santini, Praça Abílio Rodrigues Paz e Praça Mauá). 

\EXPERIMENTO #3

O terceiro experimento consistiu em construir uma instalação no espaço de uma universidade e solicitar que as pessoas explicassem aquilo que estavam vendo - sendo estes registros captados. 

REFERÊNCIAS

BOURRIAUD, Nicolas. Estética relacional. Tradução: Denise Bottmann. São Paulo: Martins, 2009

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. Perspectiva: São Paulo, 1980

MACHADO, Marina Marcondes. A Criança é Performer. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 35, n. 2, p. 115-137, maio/ago. 2010

ficha técnica

concepção, direção e produção: Bruna Paiva

artistas colaboradoras: Barbara Muglia; Renata Fernandes

fotografia: Maurice Pirotte

agradecimentos: Arquimedes Machado, Camila Santana, Elizabeth Paiva, Juliana França, Luiz Paiva, Messias, Nina Guzzo, Renata Laurentino, Vinicius Terra, Camila MIranda

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